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20 de março de 2012

Obama repreende Abbas por parar negociações de Paz com Israel

OBS-UND: Imagine o quanto Obama quer que pelo menos estas enfadonhas negociações de paz entre israelenses e palestinos saiam nem que sejam para mostrá-los bem nas fotos.
Se alcançarem um pequeno acordo de intenções se forem retomadas, já será captalizada de forma tão inflada pela equipe Obamista, que além de tudo precisa de factóides positivos para alavancar sua campanha perante aqueles que são mais resistentes em apoiá-lo a um segundo mandato.
Fazer média também faz parte e a possível repreensão a Abbas concerne neste propósito. Por favor dá uma força aí Abbas. É assim que esta turma do Obama trabalha.
Abraços.

As negociações de paz

Barack Obama repreende Mahmoud Abbas


O Presidente dos EUA, Barack Obama deu um puxão de orelhas no líder palestino Mahmoud Abbas , quando eles conversaram por telefone segunda-feira, 19 de março. Embora fontes palestinas informaram que era Abbas, que irritou o presidente dos EUA, de fato friamente Obama exigiu que os palestinos voltem  sem demora para as negociações na capital jordaniana, Amã que foi parar abruptamente depois de várias rodadas. Ele pediu a Abbas para não publicar a carta anunciando a recusa da Autoridade Palestiniana para retomar as negociações com Israel, que ele planejou para enviar ao Secretário Geral das Nações Unidas e do Conselho de Segurança.
Obama pediu especificamente ao líder palestino para pegar as conversações de Amã a partir do ponto em que ele quebrou. Pessoal do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahuenviado Yitzhak Molcho apresentaram ao negociador palestino Saeb Erekat com uma lista de 21 pontos que resumem as posições finais de Israel. Quando Erekat pediu mais detalhes, Molcho trouxe para a próxima reunião o major-general Natan Ibrahim Eshel, Chefe da Divisão de Planejamento da IDF, para preencher as informações solicitadas.
Sem mais delongas, Erekat encerrou a sessão por sair sem ouvir o que o general teve que dizer.F
Daquele ponto em diante, as negociações foram interrompidas.
Debka fontes relatam que o presidente Barack Obama exigiu esclarecimentos de Abbas para o comportamento do negociador palestino. A conversa terminou com uma nota dura quando Abbas mostrou imóveis na sua recusa em voltar à mesa de negociações.
Em uma segunda-feira artigo, no jornal Al Quds, Palestina ex-primeiro-ministro Ahmad Qurai (Abu Ala) proclamou a morte da solução de dois Estados para a questão palestina.

Guerra da Água é silenciosa, mas já está em curso

A guerra da água é silenciosa, mas é uma realidade: conflito em Barcelona causado pelo aumento das tarifas, quase guerra na Patagônia chilena por causa da construção de enormes represas e da privatização de sistemas fluviais inteiros, antagonismos em Barcelona e em muitos países africanos pelas tarifas abusivas aplicadas pelas multinacionais. A pérola fica por conta da Coca Cola e de suas tentativas de garantir o controle em Chiapas, México, das reservas de água mais importantes do país.


Eduardo Febbro - De Paris, na Carta Maior
Paris - Quanto vale a vida? “Para começar, um bom copo de água”, responde com ironia Jerôme, um dos participantes do Fórum Mundial Alternativo de Água (FAME) que se reuniu na França, paralelamente ao muito oficial Fórum Mundial da Água (FME). Duas “cúpulas” e duas posturas radicalmente opostas que expõem até o absurdo o antagonismo entre as multinacionais privadas da água e aqueles que militam por um acesso gratuito e igual a este recurso natural cuja propriedade é objeto de uma áspera disputa nos países do Sul. Basta apontar a identidade dos organizadores do Fórum Mundial da Água para entender o que está em jogo: o Fórum oficial foi organizado pelo Conselho Mundial da Água. Este organismo foi fundado pelas multinacionais da água Suez e Veolia e pelo Fundo Monetário Internacional, incansáveis defensores da privatização da água nos países do Sul.

O mercado que enxergam diante de si é colossal: um bilhão de seres humanos não tem acesso à água potável e cerca de três bilhões de seres humanos carecem de banheiro. O tema da água é estratégico e tem repercussões humanas muito profundas. Os especialistas calculam que, entre 1950 e 2025 ocorrerá uma diminuição de 71% nas reservas mundiais de água por habitante: 18 mil metros cúbicos em 1950 e 4.800 metros cúbicos em 2025. Cerca de 2.500 pessoas morrem por dia por não dispor de um acesso adequado à água potável. A metade delas é de crianças. Comparativamente, 100% da população de Nova York recebe água potável em suas casas. A porcentagem cai para 44% nos países em via de desenvolvimento e despenca para 16% na África Subsaariana.

As águas turvas dos negócios e as reivindicações límpidas da sociedade civil, que defende o princípio segundo qual a água é um assunto público e não privado e uma gestão racional dos recursos, chocam-se entre si sem conciliação possível. Um exemplo dos estragos causados pela privatização desse recurso natural é o das represas Santo Antonio e Jirau, no rio Madeira, a oeste do Amazonas, no Brasil. As duas represas têm um custo de 20 bilhões de dólares e, na sua construção, estão envolvidas a multinacional GDF-Suez e o banco espanhol Santander. A construção dessas imensas represas provocou o que Ronack Monabay, da ONG Amigos da Terra, chama de “um desarranjo global”. As obras desencadearam um êxodo interior dos índios que viviam na região. Eles foram se refugiar em outra área ocupada por garimpeiros em busca de ouro e terminaram enfrentando-se com eles.

“Deslocamento de populações, inundação de terras agrícolas e de matas e esgotamento de espécies aquáticas são algumas das consequências nefastas dessas megaestruturas”, denuncia Ronack Monabay. As represas se Santo Antônio e Jirau ameaçam também várias populações indígenas ao longo do rio Madeira: os Karitiana, os Karipuna, os Uru-eu-Wau-Wau e os Katawixi. Outros grupos como os Parintintin, os Tenharim, os Pirahã, os Jiahui, os Torá, os Apurinã, os Mura, os Oro Ari, os Oro Bom, os Cassupá e os Salamãi também estão ameaçados. Nenhuma destas populações indígenas foi consultada sobre a viabilidade dos projetos. Eles foram impostos a elas, juntamente com todos os males que os acompanham.

O exemplo do Brasil é extensivo a outros projetos similares em Uganda ou Laos, onde as multinacionais da água semeiam a destruição. O direito à água para todos foi reconhecido pelas Nações Unidas em 2010. No entanto, esse reconhecimento está longe de ter se materializado em fatos. Emmanuel Poilane, diretor da Fundação France Libertés, criada por Danielle Miterrand, falecida esposa do também falecido presidente socialista François Miterrand, lembra de um dado revelador: “dos 193 países que integram a ONU, só 30 deles inscreveram esse direito na Constituição. Mas esses 30 países são todos do Sul”. O Norte quer água privada para encher os caixas de seus bancos e pouco importa o custo humano que a escassez de água pode causar às populações destes países.

A este respeito, Emmanuel Poilane recorda que “a cada três segundos morre uma criança por falta de água”. A própria existência do Fórum Mundial da Água, organizado por um Conselho Mundial da Água composto por multinacionais e pelo FMI é uma aberração. A batalha entre público e privado se deslocou inclusive para o Senado francês. No curso de um debate, um dos senadores socialistas lembrou que esse fórum não é uma instância das Nações Unidas, mas sim um lugar onde “se fazem negócios privilegiados entre as multinacionais”. É urgente que a água seja objeto de uma reapropriação cidadã”. Não é o caso. As instâncias internacionais estão ausentes porque os lucros à vista são colossais. A gestão da água foi confiscada pelos interesses privados.

Brice Lalonde, coordenador da Rio+20, cúpula da ONU para o Meio Ambiente, prometeu que a água será “uma prioridade” da reunião que será realizada no Rio de Janeiro em junho. O responsável francês destaca neste sentido o paradoxo que atravessa este recurso natural: “a água é uma espécie de jogo entre o global e o local”. E neste jogo o poder global das multinacionais se impõe sobre os poderes locais.

As ONGs não perdem as esperanças e apostam na mobilização social para contrapor a influência das megacorporações. Neste contexto preciso, todos lembram o exemplo da Bolívia. Jacques Cambon, organizador do Fórum Alternativo Mundial da Água e membro da ONG Aquattac, recorda o protesto que ocorreu na cidade de Cochabamba: “dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se na rua em protesto contra o aumento da tarifa da água potável imposto pela multinacional norteamericana Bechtel”.

A guerra da água é silenciosa, mas existe: conflito em Barcelona causado pelo aumento das tarifas, quase guerra na Patagônia chilena por causa da construção de enormes represas e da privatização de sistemas fluviais inteiros, antagonismos em Barcelona e em muitos países africanos pelas tarifas abusivas aplicadas pelas multinacionais. A pérola fica por conta da Coca Cola e de suas tentativas de garantir o controle em Chiapas, México, das reservas de água mais importantes do país. Jacques Cambon está convencido de que “o problema do acesso à água é um problema de democracia. Enquanto não se garantir o acesso e a gestão da água sob supervisão de uma participação cidadã haverá guerras da água em todo o mundo”.

A senadora brasileira Katia Abreu (PSD), que também é presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), propôs durante o Fórum uma iniciativa para “proteger em escala mundial as zonas essenciais à preservação dos recursos de água”. As palavras, no entanto, se chocam com a dura realidade: a das multinacionais e a da própria natureza. A ONU apresentou na França um informe sobre o impacto da mudança climática na gestão da água: secas, inundações, transtornos nos padrões básicos de chuva, derretimento de geleiras, urbanização excessiva, globalização, hiperconsumo, crescimento demográfico e econômico. Cada um destes fatores, constitui, para as Nações Unidas, os desafios iminentes que exigem respostas da humanidade.

A margem de manobra é estreita. Nada indica que os tomadores de decisão estão dispostos a modificar o rumo de suas ações. A mudança climática colocou uma agenda que as multinacionais, os bancos e o sistema financeiro resistem a aceitar. Seguem destruindo, em benefício próprio e contra a humanidade. Ante a cegueira das multinacionais, a solidariedade internacional e o lançamento daquilo que se chamou na França de “um efeito mariposa” em torno da problemática da água são duas respostas possíveis para frear a seca mundial.

Tradução: Katarina Peixoto

19 de março de 2012

Tensão aumenta na Síria: Assad diz a Annan: Síria vai disparar mísseis antes de uma intervenção militar

Annan e Assad: Conversando sobre Guerra

O Oriente Médio tem inconscientemente vivido já por dez dias sob a ameaça de uma guerra regional violentíssima , o que fontes militares do DEBKAfile nos comunica foi entregue pelo presidente sírio, Bashar Assad ao emissário da Paz da  ONU e Liga Árabe Kofi Annan quando se conheceram no sábado, 10 de março. Assad advertiu  a ele, em termos inequívocos  de que a Síria estava pronta para disparar seus mísseis contra qualquer país que se prepara para uma intervenção militar na Síria antes de pensarem.Apesar de não mencioná-los pelo nome, o governante sírio estava se referindo à Grã-Bretanha, França, Noruega, Holanda e Itália, cuja marinhas e forças aéreas estavam na semana passada elaborando  e prontas para uma ação em suas  posições no Mediterrâneo Oriental e bases no Oriente Médio, incluindo uma instalação da Royal Air Force em Akrotiri, em Chipre.Uma fonte militar ocidental relatou a DEBKAfile-nesta segunda -feira à noite, 19 de março que as forças europeias estavam prontas para isolar certas regiões da Síria e cidades como "zonas de segurança"  deixando-nas fora dos limites para as unidades da Síria, incluindo a sua força aérea.
 Um Cruzeiro em frente à costa da Síria estão os dois porta-aviões  o USS Enterprise e o francês Charles de Gaulle. Eles fazem parte da disposição de combate do Ocidente investido contra o Irã e de seus postos  mediterrâneos a participar de um confronto militar em erupção no Golfo Pérsico.Em sua conversa com Annan, a Turquia era o adversário que  Assad nomeou especificamente como seu primeiro alvo para um ataque  preventivo de mísseis. Ele salientou que não terá nenhum escrúpulo em atacar a Turquia.
 O Primeiro-ministro turco Erdogan Tayyep deve definir na próxima semana uma visita a Seul, onde ele vai se encontrar com  o presidente dos EUA, Barack Obama, possivelmente em 28 de março, para o alinhamento da política sobre a ameaça nuclear iraniana e o agravamento da crise de um ano na Síria. Nossas fontes de Washington afirmam que Obama reservou seis horas para sua conversa com Erdogan.
Da capital sul-coreana, o líder turco está programado para voar em linha reta a Teerã. As principais questões do Médio Oriente, um Irã nuclear e o impasse com a Síria. são, portanto, destinados a atingir um ponto crítico nos próximos dias.Isso pode explicar em parte o anúncio da sede militar russa no Mar Negro em Sevastopol  nesta  segunda-feirade  que dois navios de guerra russos haviam se posicionado  no porto sírio de Tartus.A  Missão dos navios e nomes não foram revelados, exceto que um carregava uma unidade de " marines anti-terrorista " e o outro era um navio-tanque militar que se juntou a um reconhecimento naval russo e ao navio de vigilância já estacionado em Tartus.

Tradução: Bússola escolar e adaptação-Daniel-UND

UNIÃO EURASIANA: Ressuscitando a antiga URSS

Mapa: Rússia, alguns países europeus ao oeste e países asiáticos na região central e leste do mapa.

Caro Leitor:
Comporta uma explicação preliminar sobre o artigo e sobre o entrevistado.
O entrevistado, Alexandre Dugin (lê-se Dúguin), nasceu em 7 de janeiro de 1962 em Moscou em uma família de militares. Seu pai era oficial da KGB e sua mãe médica.
Líder do Movimento Eurasiano Internacional e diretor do Centro de Pesquisas Conservadoras da Faculdade de Sociologia da Universidade Estatal de Moscou. É também o guru intelectual de Vladimir Putin. Sua principal função junto a Putin e ressuscitar o domínio comunista compondo uma nova URSS porém com a alcunha de União Eurasiana. Uma questão semântica. Esclarecendo: Trata-se do "novo" comunismo, agora em escala mundial jamais visto e imaginado na história da humanidade. Um projeto satânico de dominação e totalitarismo mascarado sob o falso argumento de formação de um novo bloco econômico. Na verdade trata-se de um projeto insidioso visando a instituição de um governo mundial único. Leviatã que se levanta, porém, mais forte e poderoso para brigar pelo butim com a ONU que possui projeto semelhante e almeja ser a única a dominar o mundo. Será uma batalha de gigantes. Pobre humanidade!!!

Duguin utiliza-se de uma linguagem hermética, quase que cifrada, que só pode ser plenamente entendida e compreendida por estudiosos do assunto, especialistas e engajados.

O Cossaco
 
Alexander Dugin: União Eurasiana - pólo fundamental em um mundo multipolar
Pesquisa: Internet


Para realizar a idéia da União Eurasiana é indispensável rever todo o sistema internacional existente, porque a União só é possível conforme a Teoria do mundo multipolar.

No dia 4 de outubro, no jornal "Izvestia", foi publicado o artigo programático do primeiro-ministro russo Vladimir Putin sobre a criação da União Eurasiana. Como emana das teses propostas por Putin a União Eurasiana, pela analogia com a União Européia será o único espaço econômico em que as barreiras migratórias e de fronteiras serão removidas e, portanto, qualquer cidadão de um país da União vai sentir os privilégios. O filósofo e ideólogo Eurasiano Alexander Dugin chamou "absolutamente correto" o artigo de Putin "Novo projeto integracional para Eurasia - futuro, que nasce hoje", vendo no programa provavelmente do futuro presidente da Rússia o reflexo de suas idéias, que ele constantemente promovia durante muitos anos.

O Portal "Eurasia" publica a entrevista com Alexander Dugin, na qual o ideólogo mais detalhadamente se fixa em alguns aspectos da futura União Eurasiana.

"Rússia - um continente separado, civilização inteiramente original. Pode-se chamá-la 'outra Europa', mas então esta Europa será preciso ou esquecê-la, ou conquistá-la".

- Até que ponto EurAsEC (Comunidade Econômica Eurasiana) poderia tornar-se o primeiro núcleo de uma nova união política? Que formas poderia ou teria que aceitar se criada esta União?

- EurAsEC e União Aduaneira podem ser consideradas como base econômica da União Eurasiana. A composição de países incluídos nestas estruturas de integração, são o núcleo da União Eurasiana. Mas o projeto da União Eurasiana é um projeto precisamente de integração política. O que ele poderia ser? Esta é uma questão em aberto. Nursultan Nazarbayev (Cazaquistão) propõe repetir o modelo da União Européia, ele até já escreveu a Constituição da União Eurasiana, totalmente copiada da UE. Portanto, sua pergunta coloca outra pergunta: o que é a União Européia, a qual empreende-se pelo princípio - confederação, Estado nacional, ou uma nova forma de organização do espaço político - por exemplo, "Estado pós-moderno", como propôs Robert Cooper.

Eu considero que para União Eurasiana é necessária uma teoria política especial - Teoria de mundo multipolar. Nela os sujeitos, atores devem destacar-se. Não Estados tradicionais modernos (no espírito do sistema de Westfália) mas a civilização. Civilização como união. Para isso é necessário rever todo o sistema internacional existente. Isto é, a União Eurasiana deve tornar-se um novo sistema político, ter determinadas características de estado confederado, com base na subsidiariedade e larga autonomia das regiões, mas, concomitantemente determinadas características de centralismo estratégico inerente aos impérioos de aspiração clássica.

Idéia da União Eurasiana é idéia alternativa pós-moderna, distinta de Estado dominante moderno e de impérios pré-modernos. A principal diferença de impérios pré-modernos consiste que, o princípio de organização política de sistema internacional com atributo civilizacional torna-se contrução racional, reflete-se e descreve-se em termos técnicos. Existe a civilização como inércia, e existe como projeto. A União Eurasiana propões como projeto. Esta é a meta energicamente projetada.

- Muitos no Ocidente temem que a União Eurasiana pode tornar-se novamente uma repetição do velho russo-soviético império. O que, no seu pensamento, haverá nela de novo?
- Esta é uma pergunta correta. Sim. A aliança Eurasiana será o renascimento do russo-soviético império, mas na medida que a UE é renascimento do Império Carolíngio de Carlos Magno. As principais diferenças, no caso da Eurasia, da Rússia czarista e da União Soviética estão no fato, que ela não será um estado monárquico-ortodoxo e também não será um estado marxista. As diferenças ideológicas, políticas e legais, portanto são tão grandes, que os europeus, que tem medo, podem ser considerados impolidos em ciências políticas ou simplesmente atlantistas pró-americanos envolvidos em grosseira propaganda políticaa.

- A experiência da UE, fundada com base no puro monetarismo, revelou-se fracassada. O senhor afirma que a União Eurasiana deve ser construida em outros fundamentos, para se proteger de erros semelhantes? Se assim for, quais são esses princípios?
- Também é uma boa pergunta. No exemplo da crise da União Européia, nós vemos que para haver uma forte integração, a economia não é suficiente. Se não houver um projeto político global, se não tem uma geopolítica expressiva, criar algo promissor é impossível. E, a construção da União Eurasiana não deve ser considerada. Portanto deve-se começar com a construção da Teoria do mundo multipolar, não com etapas técnicas de integração econômica.

O Eurasinismo está na idéia subjacente da União Eurasiana. Esta é uma política filosófica particular - não nacionalista, não comunista, não manárquica, não nostálgica, não revisionista, mas também não liberal. É mais precisamente descrita em termos de Quarta Teoria Política (não é liberalismo, não é comunismo, não é fascismo). A ideologia Eurasiana, Quarta Teoria Política, Teoria do mundo multipolar, e também, concomitantemente a direções geopolíticas, filosóficas, sociológicas, e também teorias da esfera de relações internacionais, antropologia, etnologia, que hoje desenvolvem-se na Rússia, nos melhores institutos acadêmicos - particularmente no MSU (Universidade Estadual de Moscou - Lomonosou).

Tudo isso compõe o novo fundamento para integração, onde as ferramentas clássicas de ciências políticas estão ao lado de ciências inovadoras, em parte, pós-modernas e construtivistas (críticas quanto a democracia liberal, hegemonia americana e globalização individualista), e em parte, vistos sob nova ótica os princípios do tradicionalismo e conservadorismo revolucionário.

A atitude dos Estados Unidos para com União Eurasiana sob qualquer administração será radicalmente e abertamente hostil. A criação da União Eurasiana é diretamente contrária à estratégia de segurança adotada pelos Estados Unidos.

- Como principal representante do eurasionismo, que horizontes o senhor vê nesta União? Quais serão as futuras relações com a Europa Ocidental de um lado e China do outro?
- A União Eurasiana somente é possível em novos acordos radicais do sistema internacional. Nem no mundo global ("sem polaridade" - por Richard Haas), nem na hegemonia unipoloar americana (Robert Dzhilpin) a União Eurasiana pode existir. Se o mundo multipolar for construido, então Europa e China estarão nele como pólos independentes. A tarefa da União Eurasiana como mais um, e também pólo independente - construir com eles relações de parceria comum, e evitar situações em que Europa e China poderiam tornar-se aliados estratégicos dos Estados Unidos. Europa e China - são duas civilizações absolutamente distintas da União Eurasiana. Com elas é possível e necessário ter amizade, mas os sistemas de valores são a tal ponto diferentes, que deve prevalecer não a síntese, mas o diálogo.

- O senhor escreveu que a Eurasia localiza-se entre a estepe e a floresta. Nós, italianos apresentamo-nos como o que está entre a mancha do Mediterrâneo Central e floresta centro-européia. Naturalmente, são duas realidades geopolíticas diferentes, mas elas não poderiam encontrar-se?

- Eu acabo de terminar um livro muito importante, "A Geopolítica da Rússia". Até agora ninguém escreveu nada parecido. Quando eu estava trabalhando no livro, percebi que completa e precisa "história geopolítica da Europa" simplesmente não existe, ninguém escreveu. Carlo Terrachano, Francis Tyual, Yves Lacoste e outros geopolíticos europeus fizeram muito, mas serviço generalizado sobre estrutura geopolítica de toda história da Europa - desde as guerras do Peleponeso e guerras Púnicas até a nossa época não tem. Mas, poderia haver e deveria haver. Nela haveira a identidade geopolítica e seria compreendida no contexto geral.

Não se pode comparar geopolítica da Itália com a geopolítica da Rússia. Tanto a terra, como a floresta ou o mar executam diferentes funções, têm carga conceitual diferente. Itália - o pólo mais importante da Europa - a partir de Roma até os tempos atuais, de diferentes qualidades, com diferentes funções em diferentes fases. Isto requer uma compreensão detalhada, sistematização, antes de falar sobre os paralelos com a geopolítica de outras regiões. É mais correto comparar a Rússia com Europa como um todo ao invés de um determinado país europeu. Rússia - um continente separado, civilização com todas as características originais. Podemoos denominá-la "outra Europa", mas então "esta Europa" terá que ser esquecida, ou vencida.

- A crise da União Européia pode abrir novos espaços para a recém-nascida União Eurasiana?"
- Talvez. O fato é que a Europa Oriental está decepcionada com a União Européia. Grecia está pronta para cair fora. Turquia se recusa a pensar seriamente na sua admissão. Por isso, na Europa Oriental forma-se um vácuo civilizacional. Eu penso, que logo, logo deve-se formar um projeto de Grande Europa Oriental, como zona geopolítica independente - intermediária entre Europa Ocidental e Eurasia. A Grande Europa Oriental que incluiria paises ortodoxos (Grécia, Bulgária, Romênia, Servia, Macedônia, Montenegro), países eslavos (Polônia, República Checa, Eslováquia, Croácia, Eslovênia) e fino-úgricas raízes, Hungria e Turquia no sul - potenciais cooperadores da União Eurasiana. É pouco provável que esta área será verdadeiramente integrada à Eurasiaa, mas a identidade civilizacional da Grande Europa Oriental será algo intermediário entre Eurasia e Europa Ocidental, 50% a 50%.

Agora, para Washington. Como o senhor pensa, reagirá a atual administração dos EUA à criação da União Eurasiana? E de que perspectivas, nas futuras mudanças da equipe da Casa Branca, poderiam ser as relações entre Rússia e Estados Unidos?
- A atitude dos EUA à União Eurasiana sob qualquer administração será radical e abertamente hostil. A criação da União Eurasiana contradiz diretamente à estratégia de segurança nacional aceita pelos EUA, voltada para meta oposta - não permissão do surgimento no território Eurasiano desenvolvimento político, econômico e estratégico-militar capaz de reduzir o controle sobre esta zona pelos EUA. Isto está escrito no "Manual de Planejamento de Defesa" de Paul Volfovittsa (1992). E depois, repetido exatamente nos documentos básicos de perspectivas estratégicas dos EUA.

A criação da União Eurasiana significa desvantagem da hegemonia americana e transição para a construção de um mundo multipolar. Neste mundo multipolar, os EUA podem continuar a ser uma grande potência, mas não de escala global, mas de escala regional. A isto, em Washington parece ninguém está pronto. Significa, que haverá uma verdadeira luta do atlantismo contra eurasionismo (a qual não deixa de existir nem por um minuto). Grande Guerra doos Continentes.

- E finalmente, como influenciará a criação da União Eurasiana no novo equilíbrio das forças geopolíticas e geoeconômicas no mundo?
- União Eurasiana - pólo fundamental em um mundo multipolar. Como no estratégico e político, também no senso econômico. Obviamente, que hoje o lado mais forte da Eurasia é a energética e recursos naturais. Grande importância tem as armas nucleares e imenso território. Tudo isso cria um potencial geoeconômico significativo. Mas, ao mesmo tempo, a União Eurasiana não tem acesso suficiente a alta tecnologia, potencial industrialização, dinâmica de desenvolvimento tecnológico, mercado consumidor em escala suficiente. Isso o torna dependente da Europa e Asia. Mas não dos EUA.

Portanto o sucesso do estabelecimento da União Eurasiana é indispensável à parceria eurasiana-européia e eurasiano-chinesa. "Europa Unida de Lisboa a Vladivostok" (como escreveu V. Putin) e o eixo Moscou-Pequim. Além disso, para União Eurasiana tem grande importância a parceria com o mundo islâmico, América Latina e os países do Oceano Pacífico e África. Tudo isso são pólos potenciais do mundo multipolar.

Cada um tem vantagens e desvantagens, deficiências de um ou outro recurso. Juntos, com base no diálogo civilizado somos capazes de construir um mundo equilibrado e com justiça. Serão nele excluídos os conflitos? Não. Eles são sempre possíveis. No entanto, há sempre maneiras de evitá-los, ao invés da guerra, e dos choques de civilizações passar para um diálogo pacífico. No choque de civilizações não há nenhuma fatalidade.

A globalização e a Pax Americana nos dão exemplos de crimes de sangue, intervenções, assassinatos em massa (Sérvia, Iraque, Afeganistão, Líbia). A escolha não deve ser: guerra ou paz? E sim: que guerra e que paz? Guerra e paz entre quem e por quem, em nome de quê e em que condições? E também como construir um mundo mais justo (multipolar) e estável, e da guerra passar ao diálogo?

Não na base de total identidade e imposição forçada da democracia - como consideram os liberais em relações internacionais, mas com base no reconhecimento dos direitos do outro (outra civilização) ser diferente, distinta, não semelhante, mas que não merece "punição" e "destruição" por isso.

Precisamos aprender a construir um sistema internacional baseado numa ampla e pensada antropologia social e cultural, e não na base do ocidental americano-europeu racismo cultural, liberal-colonialismo e universalismo totalitário, valores puramente ocidentais(individualismo, mercantilismo, capitalismo).

Entrevista concedida a Daniele Ladzeri (Itália)


Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik
http://noticiasdaucrania.blogspot.com.br

Tempestade Solar entra na lista das principais ameaças a segurança do RU


No Reino Unido, as tempestades solares se juntaram ao terrorismo, à gripe e às enchentes na lista do que é considerado ameaça à segurança nacional.
 De acordo com a lista das ameaças para 2012, divulgada agora, "o clima espacial conturbado" oferece uma ameaça aos sistemas de comunicação, circuitos eletrônicos e sistemas de distribuição de energia elétrica.


As tempestades solares --erupção de energia magnética e partículas carregadas-- são normais. Sua frequência varia durante o ciclo de mais ou menos 11 anos de atividade solar.

O astro vêm "despertando" de um período de baixa atividade e entrando em um período em que as erupções acontecem com maior frequência. O pico dessa atividade de acontecer no ano que vem.

As tempestades solares não são motivo de alerta por conta do risco de machucar alguém. As vítimas da fúria solar são os equipamentos eletrônicos.

Elas conseguem provocar danos na rede elétrica, além de sistemas de GPS e de satélites.

Em 1989, uma forte erupção solar derrubou o sistema de transmissão de energia elétrica no Québec, no Canadá, deixando 6 milhões de pessoas sem luz.

Na semana passada, houve fortes tempestades solares, mas elas não provocaram nenhum dano grave.





http://www.revelacaofinal.com

Obama Decreta Lei Marcial em tempos de Paz!

UND: Devagar quase parando por conta da conexão mais vamos indo....

Sobre o texto: Alguma coisa está fedendo e está por vir, estas leis desde a virada do ano os EUA já vem acelerando uma movimentação muito estranha, resta nos observar tudo bem atentamente.
Abraços

Obama decreta lei marcial em tempo de paz!

 
19 de Março de 2012
By
http://a3.idata.over-blog.com/300x225/4/23/42/31/33/haarp-eclair2-300.jpg
Este decreto foi publicado no site WhiteHouse.gov, na sexta-feira 16 de Março de 2012, em nome da proteção dos recursos da Defesa Nacional.
Veja aqui o decreto (Tradução mais abaixo)
Resumindo, a lei marcial em tempo de paz acaba de ser declarada, e dá ao presidente o poder absoluto, sendo o único tomador de decisões em termos de “defesa nacional”!
A Lei marcial em tempo de paz é uma preparação, uma espécie de rascunho da que virá bem ordenada.
Em que consiste esse decreto?
Sob essa ordem, os Chefes de Gabinete da Agricultura, da Energia, da Saúde e dos serviços Sociais, dos Transportes, da Defesa e do Comércio podem requisitar alimentos, animais, fertilizantes, máquinas agrícolas, energia, mas também os recursos de agua, transporte civil (veículos, barcos, aviões), e outros materiais, incluindo materiais de construção, de onde eles estiverem disponíveis.
Este será provavelmente o motivo pelo o qual o governo “chipou” fazendas com dispositivos GPS, para que saibam exatamente onde ir quando eles precisarem.
Especificamente, o governo está autorizado a alocar materiais, serviços e instalações que considere necessário ou conveniente. Ele decide os meios necessários ou convenientes para a segurança nacional.
Mais precisamente, alguns norte-americanos (agricultores …) acabam de ser simplesmente desapropriados dos seus bens!
Este decreto confirma todos as informações que circulam há alguns dias, note esta explicação em Inglês:
Esta lei permite também a subvenção a empresas privadas:
Prever a alteração ou ampliação de instalações privadas, incluindo a modificação ou melhoria do processo de produção, quando se toma medidas ao abrigo dos artigos 301, 302, ou 303 da Lei, 50 USC App. 2091, 2092, 2093,
Venda ou transferência de instalações industriais para o governo federal nos termos da seção 303 (e) da lei, 50 USC App. 2093 sem o consentimento dos proprietários ou notificação. Patrões e funcionários acabam de perder os seus direitos.
Materiais de construção, alimentos como carne, manteiga ou açúcar, pneus, combustível para veículos, roupas, etc … Tudo pode agora ser repartido/limitado!
Sob este novo decreto, os chefes de gabinete estão autorizados a emprestar dinheiro, fornecer garantias de empréstimo e até mesmo subsidiar os pagamentos das taxas de mercado (sem contratos?), para tudo o que precisarem.
Declarar a lei marcial em tempo de paz abre a porta para uma guerra iminente. Ela não foi decretada porque é bonita, ela está aí para servir o governo americano…
Esta guerra pode tomar a forma de uma guerra civil nos Estados Unidos, a situação económica é grave e a dívida fora de medida. Mas a falta de dinheiro numa nação imperialista, como os Estados Unidos, conduzirá inevitavelmente a uma outra guerra … esta será Global.
Fonte: WikiStrike

Irá planeja desenvolver capacidade de defesa a altura do inimigo.Afirma Comandante iraniano

Base de Defense Aérea de  Khatam al-Anbia  onde se deu four-days  de exercises chamado Tharallah near a  strategic região of the  Gulf  Pérsico  in February de 2012.  In Portinglés  


O Irã vai desenvolver o seu potencial de defesa aérea em proporção às capacidades do inimigo, disse um comandante do Exército em Khatam na base aérea iraniana  de al-Anbiya .

Brigadeiro-General Abbas Ameri, que falava numa reunião conjunta dos comandantes do Corpos das Guardas da   Revolução Islâmica  (IRGC) e do Exército do Irã no domingo, apontou para as capacidades do inimigo no campo de informações e disse que o Irã também tem muita experiência de valor inestimável durante os  oito anos da guerra do Iraque imposta ao país (1980-88).
Ele disse que a defesa aérea do Irã orgulha-se da fraqueza da  aeronave inimiga durante a batalha,  citou o comandante como tendo dito em um relatório a  IRNA.
Deve-se notar, no entanto, que as guerras futuras serão diferentes, acrescentou.
A base de Defesa Aérea de   al-Anbia em Khatam  onde se convocou a primeira reunião conjunta dos comandantes da defesa do espaço aéreo do IRGC e do Exército para a coordenação e a cooperação das forças do país de defesa aérea.
"Nós devemos perturbar o sistema de informação do inimigo e fazer esforços para lutar contra a arrogância global, através da unidade entre a Revolução Islâmica  dos Guards Corps e [do Irã] Exército",disse o  Brigadeiro General Ameri durante a reunião de domingo.
Em consonância com os planos do país para melhorar as suas capacidades de defesa aérea, e  do Exército na  base de defesa começaram os exercícios de quatro dias  de codinome Tharallah perto da estratégica região do Golfo Pérsico em 20 de fevereiro.
O Irã sustenta que seus exercícios militares são de natureza defensiva e quis transmitir uma mensagem de paz e amizade aos países da região.
Teerã também enviou um convite público para os Estados da região para participar de exercícios navais conjuntos com as forças iranianas.

 SF / GHN / Hjl...

A violência da revolução síria chega a Damasco

UND: A conexão está um pouco lenta aqui hoje. O fluxo será menor no entanto quanto a postagens aqui.
No EC fique por hora com as postagens da minha amiga Reginamaste.
Abraços.

A violência da revolução síria chega a Damasco


Publicado em 19/03/2012 por 
http://pt.euronews.com/ São as primeiras batalhas significativas desde que as forças do presidente Bashar al- Assad retomaram o controle dos subúrbios da capital, há algumas semanas.

Esta madrugada violentos combates foram registados entre miliares e soldados desertores de Mazzé, um importante bairro residencial de Damasco onde se enontra a sede dos serviços Sretos sírios. Dezoito soldados do exército regular ficaram feridos.

As forças leais ao regime bombardearam também a cidade de Rastan, ao norte de Homs, matando uma pessoa.

Sexta feira começaram os confrontos horas antes de dezenas de milhares de pessoas realizarem protestos em muitas cidades sírias após as orações.

As manifestações espalharam-se a partir da cidade de Aleppo, no norte, para as regiões centrais de Hama e Homs, e para a província de Deraa, no sul.

As forças de segurança abriram fogo contra vários manifestantes, matando uma pessoa na cidade de Hassaka, nordeste do país, e ferindo várias pessoas em Aleppo.

Damasco diz que vai manter a repressão, ao mesmo tempo que vai cooperar com as Nações Unidas.
Fonte: Blog Realidade

18 de março de 2012

Artigo: Navios do Irã e Rússia ao longo do litoral da Síria é uma mensagem clara aos EUA, disse clérigo iraniano


Soldados russos guardam navio de guerra da mesma nacionalidade no porto sírio de Tartus
Por M K Bhadrakumar*, no Asia Times Online
Uma flotilha de navios de guerra iranianos atravessou o Canal de Suez e atracou no porto sírio de Tartus, no sábado. O ministro da Defesa do Irã, Ahmad Vahidi, disse que a missão é mostra da “potência” do Irã, apesar de 30 anos de incansáveis sanções
Toda a 18ª Frota da Marinha do Irã, já atracada em Tartus, participará de exercícios e dará treinamento “às forças navais sírias, nos termos de um acordo assinado há um ano entre Teerã e Damasco”.
Hossein Ebrahimi, clérigo influente e vice-presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Exterior do Majlis (parlamento) do Irã, declarou:
“A presença de flotilhas do Irã e da Rússia ao longo do litoral da Líbia é mensagem clara contra qualquer possível aventureirismo dos EUA. No caso de os EUA cometerem qualquer erro estratégico na Síria, há real possibilidade de que o Irã, a Rússia e vários outros países imponham resposta esmagadora aos EUA”.
As atividades dos navios de guerra iranianos em Tartus (porto também usado pela Marinha russa) serão observadas de perto pelos países da região – Turquia, Jordânia, Qatar e Arábia Saudita, em especial. Notícias não confirmadas surgidas recentemente dizem que veteranos da Força Qods do Irã (uma unidade especial do Corpo dos Guardas Islâmicos Revolucionários) pode ser enviada à Síria, para auxiliar o governo.
Em termos simples, a mensagem do Irã à Turquia e seus aliados árabes (que estão armando e apoiando a oposição síria) será: “Irmãos, se continuarem a armar os seus, armaremos os nossos”. Há muito assunto aí sobre o qual todos esses países devem refletir, sobretudo as monarquias do petróleo – que se reunirão no próximo domingo, para o primeiro encontro dos “Amigos da Síria”.
Para a Turquia, os navios de guerra iranianos chegaram à Síria em má hora. O jornal israelense Ha’aretz noticiou que o exército sírio capturou 40 agentes da inteligência turca envolvidos em atividades subversivas; e que, ao longo da semana passada, Ankara trabalhou “em intensas negociações” com Damasco, tentando libertá-los. Mas Damasco insiste que, em troca, a Turquia ponha fim à transferência de armas e infiltrações, e, além disso, quer que o Irã seja o mediador. Ha’aretz registrou:
“Oficiais ocidentais temem que a presença militar iraniana, além da ajuda russa, converta a Síria em centro internacional de atrito ainda mais grave que a luta interna na Síria. Temem que uma “parceria” russo-iraniana venha a assumir o controle sobre ações na Síria, o que excluiria a União Europeia e a Turquia (…)” [1]
Tempos de testes
Mas Teerã também está testando as águas. Sob a lei internacional, o Irã tem direito de passagem para seus navios, pelo Mar Vermelho e o Canal de Suez. Mas as equações do Egito para o Irã continuam ambivalentes.
O Egito jamais antes permitiu que navios iranianos cruzassem o Canal de Suez, até fevereiro do ano passado, depois da queda do regime de Hosni Mubarak, quando, indiferente à pressão diplomática dos EUA e aos gritos de ameaça de Israel, o Cairo permitiu a passagem de um destróier. Para Israel, foi “provocação”.
Mas desde então o Egito está em torvelinho, e o entusiasmo inicial para a normalização de relações com Teerã diminuiu muito, com o Egito tornando-se dependente da ajuda financeira da Arábia Saudita e de outras monarquias árabes sunitas do Golfo Persa.
Assim sendo, a permissão para que uma flotilha iraniana inteira passasse por Suez no final de semana significa não só que o Egito começa a movimentar-se na direção de apoiar o Irã, mas também que novas complexidades e imprevisibilidades surgem no caminho das relações entre EUA e Egito.
São tempos de testes para as relações EUA-Egito. Questão potencialmente séria já surgiu com o ataque, pelas autoridades egípcias, a várias dúzias de trabalhadores de organizações não governamentais (ONGs), entre os quais 19 cidadãos norte-americanos. Número ainda não revelado de cidadãos norte-americanos procuraram abrigo na Embaixada dos EUA no Cairo.
O Cairo anunciou no sábado, que 43 dos presos acusados de atividades suspeitas, entre os quais há estrangeiros (norte-americanos, sérvios, alemães, noruegueses, jordanianos e palestinos) e egípcios serão julgados no próximo domingo, 26/2, acusados de “estabelecer filiais não autorizadas de organizações internacionais e de aceitar financiamento estrangeiro para fazer funcionar essas filiais, comportamento que agride a soberania do estado egípcio” [2].
Washington alertou o Cairo de que o ataque às ONGs poderia ferir laços bilaterais e ameaçou cortar a ajuda militar anual que chega a US$1,3 trilhão. Washington sabe que qualquer julgamento público pode expor a escala da interferência dos EUA nos em assuntos internos do Egito. Dez importantes organizações civis norte-americanas que operam no Egito foram invadidas, dentre elas o National Democratic Institute, o International Republican Institute e a Freedom House, que recebem financiamento do governo dos EUA.
O Conselho Supremo das Forças Armadas no Cairo culpa “mãos estrangeiras” pela agitação que não arrefece no Egito. A colorida ministra de Cooperação Internacional do Egito, Fayza Abul-Naga (um dos poucos nomes do regime de Mubarak que não perdeu o lugar que tinha no Gabinete) está chefiando a campanha contra o financiamento estrangeiro para ONGs no Egito. E a Fraternidade Muçulmana ameaçou revisar o tratado de paz entre Egito e Israel, de 1979, caso os EUA cortem a ajuda ao Egito.
Desafio estratégico
Isso dito, Teerã avaliou corretamente o melhor momento para testar as ideias egípcias. A decisão egípcia de permitir a passagem da flotilha iraniana por Suez ajuda a sublinhar a ideia de que o Egito preserva sua autonomia estratégica e que, se assim desejar, poderá reatar relações como Irã. (O ministro das Relações Exteriores do Irã Ali Akbar Salehi elogiou publicamente a decisão do Egito.) Aí há mais que simples “sinal” dirigido a Washington.
Ambas as capitais, Cairo e Teerã, têm chamado a atenção para as extraordinárias mudanças pelas quais o Oriente Médio está passando; e têm dito que as coisas nunca mais voltarão a ser como antes. A evidência mais espantosa dessas mudanças é que Egito e Irã não têm posições sequer próximas entre si, sobre a crise na Síria; mas, mesmo assim, o Cairo abriu passagem para os navios iranianos, na viagem para Tartus.
Por sua vez, a mensagem mais importante que o Irã está encaminhando hoje é que nem o persistente impasse com os EUA, nem a avalanche de ameaças israelenses conseguiram fazer curvar a espinha dorsal dos iranianos; e não abalaram nem o desejo nem a capacidade do Irã para ajudar seu aliado sírio.
O perigo de confrontação real com os EUA, por causa da Síria, é muito, muito reduzido, de fato; e Teerã não crê que o governo Barack Obama esteja sendo arrastado para uma intervenção à moda líbia, na Síria. Teerã mantém-se bem informada sobre a situação em campo na Síria; e não acredita que o presidente Bashar al-Assad corra qualquer grave perigo.
Contudo, a demonstração de “força” no Mediterrâneo oriental lançará sua sombra sobre a política regional. No sábado, o Hezbollah e o Movimento Amal, em declaração conjunta, reiteraram a aliança com o Irã. Declararam que os eventos na Síria são parte dos “desesperados esforços dos inimigos” para desestabilizar o país, destruir sua unidade nacional e minar o firme apoio que a Síria dá à resistência palestina.
(Seyed Hassan Nasrallah, secretário-geral do Hezbollah, disse esse mês que “O Hezbollah recebe do Irã apoio moral, político e financeiro, de todas as formas, desde 1982. Esse apoio honra a República Islâmica”. Disse que “a mais importante vitória árabe” contra Israel, vitória do Hezbollah, não teria sido possível sem o apoio dos iranianos e que também “a Síria teve papel importante naquela vitória”.) [3]
Seja como for, a demonstração de “força” no Mediterrâneo – historicamente “um lago ocidental” – terá ressonâncias também dentro do Irã. Esses gestos apelam ao senso de honra nacional dos iranianos e contribuem para consolidar a opinião pública, o que é especialmente importante para o regime, em momento em que o país aproxima-se de eleições parlamentares crucialmente importantes, em março, nas quais se estima que mude a equação do poder e que a alquimia do Majlis (parlamento) altere-se decisivamente.
Notas dos tradutores
[1] 15/2/2012, Haaretz, em: “Report: U.S. drones flying over Syria to monitor crackdown” (em inglês)
[2] 23/2/2012, Al-Arabiya, em: “Egypt to go ahead with trial of NGO activists on February 26” (em inglês)
[3] 8/2/2012, “Sayyed Nasrallah: ‘O verdadeiro alvo é a Resistência, o apoio do Irã é um orgulho para nós’”, Al-Manar TV, Beirute (em português).
*MK Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu, Asia Online e Indian Punchline. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala.
Fonte: Redecastorphoto. Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
Fonte: Iranews.com.br

Anomalias Na Lua E No Sol







Fonte: Verdade Oculta 30

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